terça-feira, 13 de novembro de 2012

Artigo para leigos


TPM.  Que será isso?


Dra. Ceci Mendes Carvalho Lopes *


                É mote corriqueiro ver mulheres sendo, com bom ou com mau-humor, acusadas de estarem nervosas, ou sem controle, por “estarem de TPM”. Já virou rótulo. E parece argumento sem resposta, porque redarguir parece só confirmar a ideia do acusador (geralmente do sexo oposto...) de que a moça esteja mesmo descompensada, fora de si, desgovernada. Ou seja, sem razão.
                Afinal, que vem a ser essa coisa horrorosa, motivo de acusação sem defesa?
                Desde a antiguidade é descrito que as mulheres podem sofrer mudanças de comportamento, ou queixas, que se repetem periodicamente, nos dias que precedem a menstruação. Mas somente no século XX foi definido um quadro e lhe foi dado um nome: tensão pré-menstrual. A maioria dos autores prefere chamá-lo de síndrome, ou seja, conjunto de sintomas. Fica, então, SPM, ou STPM (síndrome pré-menstrual, ou síndrome da tensão pré-menstrual).
                Então, são vários sintomas que atingem mulheres, na época antes de menstruar. Isso mesmo! E quais são esses sintomas? Alguns são físicos: inchaço, dor nas mamas, algum ganho de peso (que se perde após menstruar). Alguns são de ordem psicológica: irritabilidade, nervosismo, agitação, depressão. Mas o complicador é que cada pessoa afetada tem um conjunto sintomático diferente, podendo predominar um aspecto, ou outro.
                A grande maioria, embora possa apresentar esse quadro, não o tem de forma muito acentuada. Porém existem casos tão graves que são rotulados como doença psiquiátrica. Felizmente, são muito poucos.
                Mas há muitas medidas que podem ser tomadas para que esse problema deixe de ser um problema, ou, pelo menos, seja atenuado.
                A própria mulher pode, e deve tomar certos cuidados, às vezes bem fáceis. Por exemplo, reduzir a sua ingestão de sal. Essa medida tão simples auxilia muito a reduzir a retenção de água, diminuindo o inchaço e o aumento temporário de peso. Além de que, como as pessoas não incham localizadamente, todos os tecidos, submetidos ao excesso de líquido, ao terem diminuído esse fator, reagem de forma mais uniforme com os dias que não são os pré-menstruais. E, portanto, deixam de existir alguns dos outros sintomas, que podem estar ocorrendo em função desse excesso nas células.
                Por paradoxal que possa parecer à primeira vista, outra medida fácil é beber água. Porque, ao ser eliminada pelos rins leva consigo o excesso de sal em circulação. E, com isso, fica reduzido o acúmulo. É isso mesmo: beber mais água, para inchar menos!
                Restringir alguns alimentos também pode ser útil. Aqueles em que o sal seja um componente importante, como salgadinhos e frios. O motivo é óbvio. Mas outros podem estar envolvidos em outros caminhos metabólicos. É o caso do chá (preto ou mate) e também do chocolate.
                Em alguns casos, massagens podem ser úteis. Especialmente aquelas rotuladas como “de drenagem linfática”. Porque ajudam não só a remover o inchaço, mas também são relaxantes.
                Como o componente emocional é importante, atitudes e atividades que auxiliem seu controle são bem efetivas. Assim, praticar ioga, ou exercícios do tipo tai-chi-chuan. Meditação, também é efetiva. Mas a prática de quaisquer outros exercícios pode ajudar muito, pois eles mobilizam as endorfinas, substâncias produzidas pelo sistema nervoso, que levam a sensação de bem-estar e mesmo de euforia. Claro, eles devem ser realizados conforme a aptidão e a preferência individual (para que causem, de fato, benefício, em vez de deixarem a pessoa ainda mais enervada...).
                Em algumas circunstâncias, pode ser necessário medicar. Como o quadro da síndrome é muito variável, o médico deverá avaliar caso a caso. Mas ele só poderá saber fazer esse trabalho se a pessoa que o procura lhe fornecer todas as informações. Uma boa ideia é levar anotadas as queixas, para não se esquecer de mencioná-las durante a consulta. De acordo com a avaliação, o profissional tem um farto leque de opções. Nem sempre vai obter a resposta desejada, portanto deve haver um retorno, com as informações sobre o efeito do tratamento.
                A escolha poderá recair sobre um contraceptivo hormonal, por exemplo. Costuma resolver muitos casos, porque a dose diária, sempre igual, propicia certa uniformidade da reação do organismo. Além da vantagem de promover o controle adequado do ciclo menstrual e da fertilidade (quando desejáveis). No entanto, há mulheres em que há aumento dos sintomas com esse tratamento, pois a reação também é individual.
                Em alguns casos, podem ser prescritos diuréticos, que irão promover redução do inchaço. Mas também podem influenciar sobre a pressão arterial e sobre o equilíbrio do metabolismo de algumas substâncias importantes, como sódio e potássio.
                Para aplacar os sintomas nervosos, muitos medicamentos atuantes sobre o sistema nervoso podem ser úteis: tranquilizantes, antidepressivos, e outros. Porém todos eles têm seus prós e contras.
                Vários medicamentos fitoterápicos são de grande ajuda. Por exemplo, óleos ômega-6, como o óleo de borragem ou de prímula, que agem regularizando o metabolismo em vários setores do organismo. Ou fitomedicamentos atuantes sobre o metabolismo nervoso, como ansiolíticos (exemplos bons são a Passiflora e a Valeriana) ou antidepressivos (como o Hiperico). São efetivos e com muito poucos efeitos adversos. Mas isso não significa que não os tenham...
                Os benefícios que se podem obter com a acupuntura são grandes, em alguns casos. Lamentavelmente, não para todos.
                Enfim, a Síndrome Pré-menstrual não é o monstro que merece o rótulo que chega a ser folclórico, mas não é para ser menosprezada, nas pessoas incomodadas por ela. Desaconselhamos a automedicação, pois deve ser bem avaliada, por profissional competente, que poderá tratá-la, se necessário, com vistas a prover melhor qualidade de vida à mulher e aos seus circunstantes. 

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* Dra. Ceci Mendes Carvalho Lopes 
Doutora em Ginecologia, faz parte do Staff da Clínica Ginecológica do HCFMUSP
Especialista em Fitoginecologia. 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Anticolinérgico e OnabotulinumtoxinaA para Incontinência Urinária por Urgência

Atualização

Artigo publicado no começo de outubro no New England Journal of Medicine, de autoria do Pelvic Floor Disorders Networ* mostra um artigo duplo-cego/duplo-placebo, controlado e randomizado envolvendo 249 mulheres com incontinência por urgência idiopática (sem doença neurológica) que apresentavam 5 ou mais episódios diários de perda urinária. Metade foi randomizada para uso de solifenacina 5 mg, com incremento para 10 mg se necessário (ou Trospium  60 mg) e a outra metade para injeção intradetrusor de 100 unidades  de toxina botulínica (grupo de anticolinérgico foi submetido a injeção de solução salina).  Ambos os grupos foram observados por 6 meses e comparados.  A redução objetiva da frequencia diária das perdas foi idêntica em ambos os grupos. No grupo da toxina as pacientes tiveram menos boca seca e maior tendência em resolver completamente a urgência (27% versus 13% no grupo do antimuscarínico). Tiveram contudo mais infecção urinária e episódios de retenção urinária transitória.

O único senão do estudo foi não avaliar os custos de cada um dos tratamentos


* Anticholinergic Therapy vs. OnabotulinumtoxinA for Urgency Urinary Incontinence
Visco AG, Brubaker L, Richter HE, Nygaard I, Paraiso, MFR, Menefee SA, Schaffer J, Lowder J, Khandwalla S, Sirls L, Spino C, Nolen TL, Wallace D, Meikle SF. Pelvic Floor Disordes Network
N Engl J Med October 4, 2012 DOI: 10.1056/NEJMoa1208872 [Epub ahead]

Resenha Dr. Homero Guidi.


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

1st International Congress on Minimally Invasive and Robotic Surgery




Últimos dias para inscrição no 1st International Congress on Minimally Invasive and Robotic Surgery de São Paulo (inscrições on line encerram-se no dia 18/10/2012).

A programação de Ginecologia é bastante abrangente e pode ser consultada aqui.


PROGRAMA CIENTÍFICO DE ENDOSCOPIA GINECOLÓGICA

Palestrantes Internacionais
Arnold Advincula – Global Robotics Institute – Florida Hospital, USA
Michael C. Pitter – Newark Beth Israel Medical Center, USA

Coordenadores
Mariano Tamura Vieira Gomes, Eduardo Zlotnik e Rosa Maria Neme

26 de Outubro de 2012

07h – 07h45 - Welcome Coffee

07h45 – 08h – Abertura
Claudio Luiz Lottenberg
Presidente do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)

08h – 08h30 - Sessão de Vídeos: Como Superar Dificuldades e Quais os Limites da Histeroscopia Cirúrgica
Moderadores: José Mendes Aldrighi - Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSC-SP)
                         Eduardo Zlotnik - Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)
08h – 08h10 - José Maria Cordeiro Ruano – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
08h10 – 08h20 - Luiz Cavalcanti de Albuquerque Neto - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
08h20 – 08h30 - Discussão

08h30 – 09h - Cirurgia Robótica Ginecológica: Resultados e Lições Após 200 Procedimentos no Hospital Albert Einstein
Moderador: João Paulo Mancusi de Carvalho - Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)
08h30 – 08h50 - Mariano Tamura Vieira Gomes - Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)
08h50 – 09h - Discussão

09h – 10h - Tratamento Cirúrgico do Câncer Ginecológico – Como Aplicar a Técnica
Moderador: Wagner José Gonçalves – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
09h – 09h10 - Colo Uterino / Laparoscopia – Renato Moretti Marques - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
09h10 – 09h20 - Colo Uterino / Robótica – Erico Lustosa – Instituto Nacional de Câncer (INCA)
09h20 – 09h30 - Endométrio / Laparoscopia – Alexandre Silva e Silva - Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)
09h30 – 09h40 - Endométrio / Robótica – Gustavo Guitmann - Instituto Nacional de Câncer (INCA)
09h40 - 10h - Discussão

10h - 10h30 Coffee break

10h30 – 11h - Miomectomia Robótica – Técnica e Resultados Reprodutivos
Moderador: Rodrigo de Aquino Castro - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
10h30 – 10h50 – Michael C. Pitter – Newark Beth Israel Medical Center, USA
10h50 – 11h – Discussão

 11h – 11h30 - Dissecção Retroperitonial para Casos Complexos de Histerectomia e Doenças Anexiais
Moderador: Eduardo Vieira da Motta – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)
11h – 11h10 - Laparoscopia – Gil Kamergorodsky - Universidade Federal de São Paulo  (UNIFESP)
11h10 – 11h20 - Robótica – Arnold Advincula – Global Robotics Institute – Florida Hospital, USA
11h20 – 11h30 - Discussão

11h30 – 12h30 - Complicações em Cirurgia Pélvica – Como Evitar e Como Tratar
Moderadores: Manoel João Batista Castello Girão - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
              Luciano Gibran - Hospital Pérola Byington
11h30 – 11h40 - Feixes Nervosos – Ricardo Mendes Pereira - Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)
11h40 – 11h50 - Vasos Sanguíneos –  Sergio Kuzniec - Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)
11h50 – 12h - Vias Urinárias – Cassio Andreoni – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
12h – 12h10 - Trato Digestivo – Vladimir Schraibman - Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)
12h10 – 12h30 - Discussão

12h30 – 13h30 – Lunch Meeting - Cirurgia Endovascular em Ginecologia
Moderador: Marcos Messina - Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)
12h30 – 12h45 - Indicações e Resultados – Eduardo Zlotnik - Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)
12h45-13h - Aspectos Técnicos – Felipe Nasser - Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)
13h – 13h30 – Discussão e Interatividade

13h30 – 14h30 - Otimizando o uso da Cirurgia Robótica
Moderadores: Mariano Tamura Vieira Gomes - Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)
                         Rosa Maria Neme - Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)
13h30 – 13h50 - Como Evitar Armadilhas em Cirurgia Robótica – Arnold Advincula – Global Robotics Institute – Florida Hospital, USA
13h50 – 14h10 - Princípios do Uso do Quarto Braço Robótico – Michael C. Pitter – Newark Beth Israel Medical Center, USA
14h10 – 14h20 - Dicas para a Colposacropexia Robótica – Arnold Advincula – Global Robotics Institute – Florida Hospital, USA
14h20 – 14h30 - Discussão

14h30 – 15h - Tópicos Atuais em Cirurgia Ginecológica
Moderador: Rubens Paulo Gonçalves Filho – Faculdade de Medicina do ABC (FMABC)
14h30 – 14h40 - Profilaxia e Lise de Aderências – Como Fazer? – Caio Parente Barbosa - Faculdade de Medicina do ABC (FMABC)
14h40 – 14h50 - Razão para o uso de Hemostáticos – Sérgio Edgard Camões Conti Ribeiro – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)
14h50 – 15h - Discussão

15h – 15h30 – Coffee break

15h30 – 16h40 - Riscos e Limites da Cirurgia para Endometriose Profunda
Moderadores: Edmund Baracat – Universidade de São Paulo (USP)
                         Nucélio Luiz de Barros Moreira Lemos – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

15h30 – 15h40 - Sérgio Podgaec - Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)
15h40 – 15h50 - Arnold Advincula – Global Robotics Institute – Florida Hospital, USA
15h50 – 16h - Rosa Maria Neme - Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)
16h – 16h10 - Michael C. Pitter – Newark Beth Israel Medical Center, USA
16h10 – 16h20 - Eduardo Schor – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
16h20 – 16h40 – Discussion

16h 40 - Encerramento

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Congresso 2012 da FIGO, em Roma, vai até sexta-feira




Entre 7 e 12 de outubro de 2012 acontece em Roma, Itália o XX Congresso Mundial da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia - FIGO.  O evento é realizado com intervalos de 3 anos.

A Clínica Ginecológica da USP  participa com alguns trabalhos em Endometriose e Ginecologia Endócrina.
Alguns resumos (abstracts) podem ser acessados aqui no site.

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