quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Ca de Ovário - Matéria do Prof. J. P. Carvalho da Ginecologia USP na "Veja"


Opinião do especialista

Jesus Paula Carvalho
Chefe da equipe de Ginecologia Oncológica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e Professor da Disciplina de Ginecologia da  Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

"Não existe nenhum método de diagnóstico precoce do câncer de ovário que seja recomendado. Não conheço nenhum país do mundo que recomende o teste de sangue e o ultrassom em mulheres saudáveis. Infelizmente, quando uma mulher nos pergunta se existe algum modo de detectar o câncer antes dele se espalhar, nossa resposta é negativa.

"Quando a mulher percebe os sintomas do câncer de ovário, ela já está em estágio avançado da doença. O tratamento deve ser cirúrgico e quimioterápico. Na mulher com os sintomas, esses testes de sangue e ultrassonografia têm validade para confirmar o diagnóstico e para orientar os médicos durante o tratamento.

"Em junho de 2011 foi realizado um estudo com 79.000 mulheres, para testar os métodos de rastreamento de câncer. Por causa deles, 1.800 das voluntárias tiveram de passar por cirurgia para tratar o câncer de ovário. No entanto, não houve nenhuma diferença na mortalidade por conta da doença entre as pacientes que fizeram parte do estudo e as que não fizeram. Mais de uma centena de mulheres tiveram complicações por causa da cirurgia.

"Pelo menos 10% dos casos de câncer de ovário são causados por alterações genéticas e estão ligados ao histórico familiar. Quando uma mulher tem história familiar sugestiva, com parentes que tenham tido esse tipo de câncer, ela passa a ser suspeita de ter a mutação nos genes. O ideal é que ela procure por aconselhamento genético. Se a mulher tiver uma mutação comprovada, os médicos irão recomendar a remoção do ovário.

"O câncer de ovário mais comum é causado pelo carcinoma seroso de alto grau. Durante décadas, os pesquisadores acharam que ele surgia no ovário. De alguns anos para cá, no entanto, novos estudos têm mostrado que a célula que dá origem ao carcinoma surge na tuba uterina. Quando o câncer chega no ovário, ele já está em metástase. Esse é um conhecimento muito novo, é a nova fronteira da pesquisa contra o câncer de ovário. Talvez o caminho para um método de prevenção seja a busca de mutações genéticas na tuba uterina. Acredito que nos próximos anos vão surgir testes moleculares para encontrar o câncer de ovário antes dele entrar em metástase."



Veja   aqui   a matéria toda da "Veja" sobre a recomendação do U.S. Preventive Services Task Force contra o uso rotineiro de supostos métodos e exames de rastreamento do câncer de ovário, na realidade uma reiteração de recomendação já feita em 2004, no mesmo sentido. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Novo diretor geral da Organização Panamericana de Saúde será escolhido hoje


Nessa quarta-feira 19 de Setembro de 2012, os Estados-Membros da Organização Panamericana de Saúde vão eleger um novo Diretor-Geral, dentre os três seguintes candidatos:

     Caroline Chang Judith Campos - Equador
     Carissa Etienne Faustina - República Dominicana
     Socorro Gross Galiano - Costa Rica

Os três candidatos foram selecionados a partir de nominações de todos os Estados-Membros, num processo que se iniciou em 2011.

A pessoa eleita começará seu mandato de cinco anos em 1 de fevereiro de 2013, substituindo a Dra. Mirta Roses Periago da Argentina, que foi Diretora da OPAS, desde 1 de Fevereiro de 2003.

Entre os ex-diretores da OPAS incluem-se:  Sir George Alleyne (1995-2003), Dr. Carlyle Guerra de Macedo do Brasil (1983-1995), Dr. Héctor Acuña (1975-1983), o Dr. Abraham Horwitz (1959-1975), o Dr. Fred Soper (1947-1959), o Dr. Hugh Cumming (1920-1947), Dr. Rupert azul (1912-1920) y Dr. Walter Wyman (1902-1911). A OPAS, que celebra o seu 110 º aniversário neste ano, é a organização mais antiga do mundo voltada à saúde pública e serve como Escritório Regional da OMS para as Américas.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

28a. Conferência da Organização Panamericana de Saúde


Começa hoje, 17 de setembro de 2012, Washington D.C, a 28a. Conferência da OPAS. Ministros de Saúde de todas as nações da América estarão reunidos até o dia 21, sexta-feira.

Além de analisar as conquistas e desafios sanitários dos 48 países e territórios que compõem o nosso continente as delegações vão eleger o novo  diretor geral do órgão para um mandato de 5 anos que se inicia em 1 de fevereiro de 2013. O novo diretor eleito vai suceder a Dra. Mirta Roses Periago, da Argentina, que ocupa o cargo já por dois mandatos, desde fevereiro de 2003.

A OPAS é a organização de Saúde mais antiga do mundo, completando em 2012, 110 anos. Suas reuniões gerais acontecem a cada 5 anos e vários balanços e políticas são analisadas e definidas nessas ocasiões.

Nesse ano serão analisados os progressos nos últimos dez anos em toda a região, incluindo o controle de doenças não-transmissíveis, vacinação, AIDS/HIV, mortalidade materna, gravidez na adolescência, assistência a infância, saneamento público, controle e qualidade de água, entre vários outros assuntos.

A Conferência também deve rever a organização da ajuda humanitária/sanitária em caso de grandes desastres, naturais ou não, nos países do continente.

Outro ponto curioso é a indicação do Campeão da Saúde, um premio que distingue e reconhece figuras públicas que, através do seu prestígio e reconhecimento, nacional ou internacional, trabalham e intercedem pela saúde pública, programas vacinais. Na galeria dos campeões estão:



  • Ricardo Montaner
  • Fernando Sendra
  • Mario Kreutzberger - "Don Francisco"
  • Sesame Workshop
  • Mercedes Sosa
  • Jon Secada
  • Heather Mills
  • Mauricio de Sousa (Brasil)
  • Ronaldinho Gaúcho (Brasil)
  • José José
  • Jerry Rivera
  • Fundación Selva Negra
  • Shaila Durcal
  • Luis Enrique
  • Conferência da OPAS


    O impacto das doenças não transmissíveis nas Américas.


    Dados obtidos nos 48 países e territórios das Américas, entre 2007 e 2009 mostram que as doenças não transmissíveis são as líderes como causa de morte, respondendo por 76% de todas as mortes naquele período.
    Em um aspecto mais pernicioso, essas mesmas doenças são responsáveis por 44% de mortes que ocorrem em pessoas com menos de 70 anos. Nos países de baixa renda o índice é de 52%, comparativamente aos 35% observados nos países de alta renda.
    Na 28ª edição da Conferência da OPAS desse ano o diabetes mellitus está em foco, pela sua alta prevalência. Estima-se que no continente americano existam em torno de 55 milhões de pessoas vivendo com diabetes. Anualmente as mortes estimadas em função direta do diabetes chegam a 242.000, divididos entre 132.000 no sexo feminino e 110.000 no sexo masculino. As taxas de mortalidade por país, quando disponíveis, são bastante díspares, tais como 12,28% na Argentina, 38,49% no Brasil e 83,52% no México.
    Dez porcento das mortes pelo diabetes são totalmente evitáveis, pois ocorrem em pessoas com menos de 50 anos Nesse particular as taxas nos diversos países do continente, são bastante variáveis como pode ser visto no mapa abaixo.





    Nas doenças não transmissíveis existem quatro fatores de risco comuns a todas. Todos os quatro fatores são altamente passivos de prevenção por mudança de hábito: o uso do tabaco, a  inatividade física, a dieta inadequada e o uso excessivo do álcool.  

    Essa combinação de quatro fatores leva também a quatro situações metabólicas extremamente negativas: elevação da pressão arterial, obesidade, elevação do colesterol e elevação da glicose.