segunda-feira, 23 de julho de 2012

Austrália iniciou vacinação pública contra o HPV em meninos



A Austrália, que já era um dos países pioneiros na vacinação pública de mulheres contra o HPV, sai na frente novamente com a instituição da vacinação pública gratuita contra o HPV em meninos entre 12 e 13 anos, num Programa vacinal público baseado na escola.

A indicação da vacina no sexo masculino é ponto pacífico em função do caráter de vetor da infecção exercido pelo homem. O HPV é o agente responsável por mais de 95% dos cânceres de colo do útero e uma porcentagem apreciável de câncer anal em ambos os sexos, câncer de pênis e orofaringe, entre outros cânceres de cabeça e pescoço no mundo todo.

A vacinação exclusivamente feminina teria efeitos a longo prazo na população em geral apenas com níveis de vacinação acima de 80%, levando impacto realmente efetivo na propagação das infecções e o efeito de “imunidade de rebanho”. No entanto, durante , esses longos anos para atingir essa cobertura vacinal,  uma parcela enorme, senão uma geração de jovens e homens em geral estariam sujeitos a uma série de doenças benignas (condilomas) e cânceres em proporções não desprezíveis.

O assunto HPV-Vacina ainda tem mostrado sérias evidências da utilidade da imunização em pacientes já portadores ou doentes. Há evidências de que embora não exerça efeito curativo na doença já estabelecida, a vacinação impeça as reinfecções (auto-reinfeção ou por novos contatos), gerando um impacto benéfico extremamente vantajoso, sobretudo na história natural, nos casos de “recidiva” e persistência viral.

Esses assuntos foram tema de encontro de atualização na Seccional Presidente Prudente da Sogesp nos dias 20 e 21 de julho. O evento patrocinado em conjunto com a regional da Associação Paulista de Medicina teve presidência do Dr. José Renato Sampaio Tosello e organização dos Drs. Álvaro Anzai e Mary Martins Nery, com participação de mais de 150 profissionais entre ginecologistas e outros especialistas e acadêmicos de medicina. Representando a Ginecologia USP estiveram palestrando a Dra. Maricy Tacla, Elsa Aida Gay de Pereyra e Homero Guidi.

No Brasil seguem as negociações para a inclusão dessa vacina no Programa Nacional de Imunização, inclusive com a possibilidade de financiamento parcial pela OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) se formado um consórcio de países sul-americanos com  a dose a menos de 10 dólares americanos.

Em muitos estados do Nordeste e Norte o câncer de colo uterino é ainda a primeira causa de câncer e de morte por câncer nas mulheres, além de um índice impressionante de câncer de pênis e verrugas genitais. O impacto disso na incidência dos cânceres de orofaringe ainda é subestimado e pouco pesquisado, ou mesmo encarado como um tabu e ignorância em várias esferas.

A informação precária da população, contudo, parece continuar a ser o principal problema desse assunto aqui no Brasil. Quando informadas as pessoas mostram desejo da prevenção em sua esmagadora maioria.

Para saber mais sobre o Programa de Imunização Australiano (clique aqui).

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sexta-feira, 6 de julho de 2012

9o. Simpósio Ítalo-Brasileiro de Endoscopia Ginecológica


Nos dias 17 e 18 de agosto São Paulo recebe a nona edição do Simpósio Ítalo-Brasileiro de Endoscopia Ginecológica no Hotel Pestana.

Vários convidados internacionais juntam-se aos experts brasileiros nessa área de grande desenvolvimento da Ginecologia e garantem a grande qualidade do evento que já se tornou uma tradição na sua área.

O intercâmbio Brasil - Itália tem raízes muito fortes e muito além da simples amizade. São vários os profissionais brasileiros que estiveram se aperfeiçoando na terra de Dante, nas diversas Universidades italianas.

As inscrições já estão abertas.

Visite:  http://www.italobrasil.com.br/9/

Balanço do Congresso da SOGIA


                                                                              Balanço do Congresso

A participação de congressistas de todo o país abrilhantou o XII Congresso Brasileiro. Tivemos participantes dos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.
A Feira de Exposição contou com dezesseis expositores
Na solenidade de abertura foi prestada Homenagem “In Memoriam” ao nosso companheiro e amigo Dr. Jorge Andalaft Neto, falecido neste ano e que foi Membro Diretor da SOGIA-BR por dois mandatos consecutivos.
O Professor Álvaro da Cunha Bastos, fundador e primeiro presidente da SOGIA-BR, foi homenageado com o título de Presidente de Honra permanente dos eventos da SOGIA-BR recebendo uma réplica do certificado, que leva sua foto como fundo.
Atividades científicas:
O Congresso começou com o Curso de Capacitação para o Atendimento em Obstetrícia e Ginecologia da Infância e Adolescência (Pré Congresso).
Seguiram-se dezesseis Mesas Redondas, cinco Simpósios com apresentação de casos clínicos e temas livres relacionados com o assunto de cada Mesa, cinco Simpósios Satélites patrocinados, quatro conferências, três Sessões "Tire Suas Dúvidas" e uma conferência  seguida de perguntas e debate.
Foram expostos  68 trabalhos no formato de poster.
Na sessão de encerramento foram entregues os títulos de Qualificação em Obstetrícia e Ginecologia da Infância e Adolescência para oito médicos aprovados no concurso, outorgado pela SOGIA-BR, após prova teórica e análise curricular; Entrega de Prêmio Álvaro da Cunha Bastos para o melhor trabalho concorrente, além de outro que recebeu Menção Honrosa.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Atualização médica relâmpago

Contracepção   -  Estudo de 15 anos na Dinamarca.

AVC e Infarto do Miocárdio X Anticoncepcionais.

A associação entre tromboembolismos venosos e anticoncepcionais sempre foi uma preocupação e objeto de estudos, já na década de 60 e depois nos anos 90, com especial preocupação com os progestágenos utilizados. No entanto, poucos são os estudos  sobre a relação entre os anticoncepcionais e o acidente vascular cerebral trombótico e o infarto do miocárdio, eventos trombóticos arteriais. Ainda mais, até então  os resultados desses poucos estudos existentes eram conflitantes.
Um estudo publicado no dia 14 de junho de 2012 no New England Journal of Medicine, por Lidegaard e colaboradores, mostra a experiência  dinamarquesa com um  estudo de coorte histórico por 15 anos envolvendo mulheres não grávidas entre 15 e 45 anos, sem histórico de câncer ou doença cardiovascular de todo o país. Em termos numéricos isso representa um total de 1.626.158 mulheres que geraram  14.251.063 pessoa/anos de observação , com 3.311 AVC trombóticos no período (21,4 por 100.000 pessoas/ano) e 1725 infartos do miocárdio (10,1 por 100.000 pessoas/ano).
O estudo conclui que, apesar do risco baixo verificado para ambos os eventos trombóticos em associação com o uso de contraceptivos,  há uma diferença sensível quando se comparam as doses do etinil-estradiol utilizado nessas drogas. Entre 20µg e 30µg o risco  sobe de 0,9 a 1,7 e da dose de 30µg para 40µg o fator de risco aumenta de 1,3 para 2,3.  As diferenças em relação à progestinas utilizadas  foram insignificantes na estratificação de risco.
Esse trabalho revela-se de grande importância ao reassegurar a segurança dos anticonceptivos  que embora não total é baixa o suficiente em termos de segurança. Em termos epidemiológicos ainda apresenta como um trabalho de grande peso científico e de importância.  Comparativamente ele  é  10 vezes maior do que  um estudo semelhante, publicado recentemente nos Estados Unidos por Ouellet-Hellstrom e colaboradores no mesmo assunto.  

Referência original:
Ø. Lidegaard and Others | N Engl J Med 2012;366:2257-2266


Editor  H. Guidi