quarta-feira, 1 de junho de 2011

HPV – Global Forum

Entre 9 e 11 de junho de 2011, em Zurique, Suiça. Cinco anos após o lançamento da Vacina Quadrivalente contra o HPV (no exterior Gardasil®) um evento reúne mais de 100 especialistas em HPV, entre virologistas, biologistas, ginecologistas, dermatologistas, infectologistas e um urologista.  Foi apresentado o programa da Austrália, país em que o sistema de saúde vacinou mais de 85% das jovens entre 9 e 26 anos de idade, faixa mais vulnerável  à infecção pelos Papilomavirus, agente causador do Câncer de Colo Uterino, a segunda causa de morte por câncer (e segundo tipo mais comum) nas mulheres.  Em muitos países em desenvolvimento  o Câncer do Colo assume o primeiro lugar, na frente do Câncer de Mama. 

O evento contou  com a presença  de alguns head experts na área:
- Dr. Kenneth Alexander, médico , Professor of Pediatrics e chefe da seção de Pediatric Infectious Diseases , University of Chicago (doutor em Farmácia pela Universidade de Washington, fellowship em Infecções Pediátricas pela Duke University
- Dra. Denise Galloway, PhD em Biologia Molecular e pesquisadora/diretora do Human Biology Division and Public Health Sciences at Fred Hutchinson Cancer Reaseach Center in Seattle, U.S.A.
- Dr Elmar Joura, Associated Professor of Gynecology and Obstetrics na Universidade de Viena.
- Dr. Andrew Grulich, epidemiologista e médico em saúde pública.  Chefe do Programa Australiano de Epidemiologia e Prevenção do HPV no Instituto Kirby da Universidade  of New South Wales em Sydnei, Austrália.
-Dr Stephen Goldstone, State University of New York, Albany, Fellow do American College of Surgeons/ American Society of Coon and Rectal Surgeons. Assitant Professor of Surgery at Mount Sinai School of Medicine.
-Dr. Alfrede Saah, Diretor e Pesquisador Clínico  em Vacinas e Doenças Infecciosas dos Laboratórios de Pesquisa da Merck em West Point , Pennslvania, egresso da  John Hopkins School of Public Health and School of Medicine
-Dr. Carlos Sattler, líder e pesquisador do setor de Vacinas para Adolescentes do Laboratório de Pesquisa da Meck de West Point, PA. U.S.A.
-Dra Luisa Lina Villa, Chefe do Setor de Virologia do Instituto Ludwig for Cancer Reseach, braço de São Paulo, uma das pesquisadoras mais proeminentes no mundo em HPV, pesquisadora responsável pelo maior número de pacientes estudados em relação à vacina preventiva contra o HPV.

A Dra. Luisa Villa e o Dr. Carlos Sattler capitanearam o evento.

Os delegados brasileiros foram Dr. Paulo Cesar Giraldo (Unicamp), Dra. Elsa Gay Pereyra (USP), Dr. Edison Fedrizzi ( UFSC,  Santa Catarina), Dr. Mauro Romero (UFF, Rio de Janeiro), Dra. Maricy Tacla (USP) e Dr. Homero Guidi (USP).

A delegação brasileira contou com a assistência do Dr. Fernando Brandão.

Conceitos Bioestatísticos - revisão rápida

Sempre é bom recordar alguns conceitos. Muitos usamos e lemos no dia-a-dia e, não infrequentemente, podemos nos confundir.

SENSIBILIDADE

Proporção de pacientes com determinada doença ou condição cujo teste ou exame também é positivo

Teste  +
_________

Doença  +           

Exemplo: 100 pacientes com tumor tal ;  95 deles com RX positivo para o tumor  - sensibilidade do RX nesse tipo de tumor  95%.  Ou seja, o teste consegue detectar 95% dos pacientes; 5% são falso negativos.

Avalia a capacidade do teste ou exame detectar a doença.

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ESPECIFICIDADE

Proporção de pacientes sem a doença cujo teste também é negativo, ou seja o teste ou exame determina ou mede apenas aquela situação ou doença, não apresenta resultados cruzados com outras doenças ou situações, não tem falsos positivos (se especificidade 100%).

Teste  -
_________

Doença    -

Avalia a capacidade do teste ou exame em afastar a doença.

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VALOR PREDITIVO

POSITIVO

Probabilidade de uma pessoa com teste positivo realmente ter a doença.

Pessoas doentes com teste positivo
______________________________

Total de pessoas com teste positivo


NEGATIVO

Probabilidade de uma pessoa com teste negativo realmente não ter a doença

Pessoas  sem a doença com teste negativo
___________________________________

Total de pessoas com teste negativo.

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Utilidade  dos testes  SENSÍVEIS

1-  Para afastar doenças em fase inicial de diagnóstico

2-  Importante para o diagnóstico de doenças potecialmente graves

3-  Úteis para rastreamento (screening) na população

Quando o resultado de um teste bastante sensível é negativo, sua utilidade é maior, pois implica em melhor Valor Preditivo Negativo.


Utilidade dos testes  ESPECÍFICOS

1  - Bastante úteis para confirmar um diagnóstico sugerido por outros dados e/ou exames.

2  - Bastante necessário e útil quando um resultado falso positivo pode ter desdobramentos muito lesivos e/ou agressivos/ negativos (notadamente na terapia a ser empregada).

3 - Testes com alta especificidade com resultado positivo são muito úteis em função de implicar em melhor Valor Preditivo Positivo.

H. Guidi

terça-feira, 31 de maio de 2011

Coluna do Residente Ano 1 , Número 4

A destruição dos últimos estoques dos vírus da Varíola é oportuna agora?

Leia porque a controvérsia não é tão desprovida de fortes argumentos ou descabida. Veja porque num artigo muito interessante do The Lancet , de autoria dos Drs. Jean-Vivien Mombouli e Stephen M Ostroff, respectivamente do  National Public Health Laboratory, Brazzaville, Republica do Congo e do Bureau of Epidemiology, Pennsylvania Department of Health Harrisburg, USA
acesse.

Confira também os temas das reuniões da Clínica Ginecológica no mês de junho.

domingo, 29 de maio de 2011

Coluna do Residente número 4 Ano 1

A destruição dos últimos estoques dos vírus da Varíola é oportuna agora?

Durante muitos séculos a varíola foi uma das doenças mais temidas e mortais da humanidade. Sua erradicação foi uma das maiores conquistas de saúde pública em termos mundiais, resultante de uma ação coordenada e sinérgica de todas as nações sob o comando da OMS.
O último caso foi notificado em 1977 e a doença foi declarada extinta em 1980.
Desde então a OMS  recomendou que os últimos estoques de vírus da varíola (smallpox)  fossem concentrados em dois laboratórios de referência:  o CDC (Center for Disease Control) e o Centro Estatal de Pesquisas em Virologia e Biotecnologia da Rússia.
Em 2011 a Assembléia da OMS incluiu em sua agenda a discussão sobre fixar ou não uma data para a destruição desses últimos estoques conhecidos do vírus da varíola.
Muitos especialistas consideram inapropriada essa destruição inflexível desses vírus agora. Várias são as considerações levantadas em função dessa posição:

1-    Apesar da declaração de erradicação da doença, nenhuma inspeção internacional garantiu a transferência de todos os estoques para os laboratórios de referência;
2-    A partir de 1990 houve uma grande e crescente preocupação  com o potencial retorno do smallpox face as ameaças de grupos terroristas de utilizarem agentes infecciosos (guerra biológica/terrorismo biológico) com finalidades políticas consideradas nefastas;
3-    Os organismos de saúde mundiais instituíram agendas e pesquisas ambiciosas para o desenvolvimento de novas gerações de vacinas contra a varíola para aumentar a segurança mundial nesse aspecto. Nesse contexto a existência de vírus vivos é essencial para esse tipo de pesquisa;
4-    Paralelamente a OMS instituiu estratégias globais para a manutenção de estoques substanciais de vacinas contra a varíola, além de uma rede de laboratórios capacitados para o seu diagnóstico, além do controle dos estoques  de vacinas e vírus para a pesquisa .
Novas vacinas foram obtidas e outras ainda estão em vias de finalização do seu processo de pesquisa e fabricação.  Antivirais efetivos também têm sido testados, além do seqüenciamento genômico do vírus e modelos animais da doença.
Para  esses cientistas truncar esses esforços agora seria altamente contraproducente, considerando ainda que metade da população mundial nasceu depois que a imunização foi interrompida na década de 80. Na África essa proporção é muito maior. São pessoas que não estão imunes ao vírus.
Além disso  depois de 1980 variantes da varíola foram identificadas (smallpox-like disease) causada pelo  monkeypox na África, transmitidas por roedores que causaram pequenos surtos da doença em humanos no Congo e no Sudão entre 2003 e 2006. Em alguns desses surtos verificou-se, inclusive, transmissão entre humanos.  Trinta anos depois da interrupção da vacinação (que, por sinal, dava proteção cruzada ao monkeypox vírus!)  isso passou a ser um problema de saúde pública na África central com um crescimento de 20 vezes nos relatos desses surtos desde a década de 80.
Uma liberação, intencional ou acidental, do vírus da varíola causaria um pandemia da doença com contornos particularmente graves na África,  cujos países estão desprovidos de vacinas e antivirais até mesmo para o monkeypox e outras poxiviroses emergentes.
Yet experimental evidence shows that the advances that result from smallpox research, such as safer vaccines and safe and effective oral antiviral agents, will be useful for prevention and control of monkeypox. But this work must be completed to gain these benefits.3, 7, 8
Nesse panorama fica claro que os esforços para conter a varíola  são inquestionáveis mas não estão completos e a destruição desses vírus ainda não deve ser considerada por mais parodoxal que essa posição possa parecer à primeira vista em termos de saúde pública mundial.
Citação

The Lancet, Early Online Publication, 20 May 2011
doi:10.1016/S0140-6736(11)60694-6Cite
The remaining smallpox stocks: the healthiest outcome
Jean-Vivien Mombouli a, Stephen M Ostroff
a National Public Health Laboratory, Brazzaville, Republic of Congo
b Bureau of Epidemiology, Pennsylvania Department of Health Harrisburg, PA 17120, USA