terça-feira, 1 de março de 2005

AVALIAÇÃO DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E CLÍNICO DE PORTADORAS DE ENDOMETRIOSE PÉLVICA E IDENTIFICAÇÃO DOS PRINCIPAIS FATORES DE RISCO RELACIONADOS À DOENÇA OBTIDOS ATRAVÉS DE QUESTIONÁRIO INTERATIVO

Pós-graduanda: Rosa Maria Neme
Orientador: Prof. Dr. Maurício Simões Abrão
Data da defesa: 01/03/2005

A endometriose representa uma das doenças mais prevalentes em ginecologia, e afeta cerca de 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva. Apesar do grande aumento da ocorrência desta doença, pouco se sabe sobre sua epidemiologia, principalmente devido à dificuldade metodológica por tratar-se de patologia de definição e etiologia desconhecidas. A prevalência estimada varia de 4% entre mulheres assintomáticas a cerca de 50% entre adolescentes com dismenorréia incapacitante. Fatores de risco pessoais foram descritos, como idade, estado sócio-econômico, estado civil, fatores menstruais, como duração e intervalo dos ciclos e idade da menarca. Sintomas como dismenorréia, dor acíclica, dispareunia de profundidade, alterações urinárias e intestinais cíclicas e infertilidade, também são associados à doença. O objetivo deste presente estudo foi determinar uma forma de predizer o diagnóstico cirúrgico baseado no perfil epidemiológico e sintomas da endometriose, através da utilização de um programa interativo para este cálculo. Para tal, analisou-se mulheres com diagnóstico histológico da doença e pacientes sem diagnóstico, pertencentes ao Ambulatório de Ginecologia Preventiva do HC/FMUSP (grupo controle), analisadas através deste programa interativo, constituindo amostra de 1872 pacientes estudadas. A avaliação estatística foi realizada pelos testes do qui-quadrado, t-Student e regressão logística multifatorial. Encontrou-se como fatores de risco significativos a idade, raça, grau de instrução, estado civil, intervalo de ciclo menstrual, presença de dismenorréia, alterações urinárias cíclicas, tipo de infertilidade, além de sintomas mais específicos como disúria, proctorragia e diarréia, dados que foram aplicados através do programa informatizado. Concluiu-se que tal modelo apresenta grande valor para a análise da razão de chances de ocorrência de endometriose na população geral. Análises prospectivas tornam-se imperativas a fim de testarmos tal modelo para estabelecermos para o diagnóstico da doença.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2005

EFEITOS DA TERAPIA ESTROGÊNICA E DO EXERCÍCIO FÍSICO SOBRE ALGUNS PARÂMETROS DE RISCO CARDIOVASCULAR EM MULHERES NA PÓS-MENOPAUSA

Pós-graduando: Fabrício Collares Rosas
Orientadora: Profa. Dra. Angela Maggio da Fonseca
Data da defesa: 21 de janeiro de 2005

Objetivo: o objetivo deste estudo duplo-cego, randomizado e controlado com placebo, foi avaliar os efeitos da terapia estrogênica oral e do exercício físico sobre alguns parâmetros de risco cardiovascular em mulheres na pós-menopausa. Casuística e métodos: foram recrutadas 224 mulheres para investigação trasnversal analítica da população alvo, submetidas a monitorização ambulatorial da pressão arterial para estabelecer a prevalência de hipertensão arterial. destas, 24 mulheres saudáveis, histerectomizadas, sedentárias na pós-menopausa, com média etária de 50,4 anos, foram randomizadas para compor 4 grupos: terapia estrogênica (valerato de estradiol 1mg/dia por via oral contínuo) + sedentarismo (TE/SD, n=7) ou treinamento físico aeróbio supervisionado (TE/TR, n=6); placebo + sedentarismo (PL/SD, n=5) ou treinamento físico aeróbio supervisionado (PL/TR, n=6). No início e ao 6º mês do estudo, foram realizados: cálculo do índice de massa corpórea, dosagens séricas de triglicérides, colesterol total e frações, monitorização ambulatorial da pressão arterial e teste ergoespirométrico. Foram aplicados os testes estatísticos do qui-quadrado, de Kruskal-Wallis, Wilcoxon e de HSD-Tukey. Resultados: a prevalência de hipertensão arterial na população estudada foi de 45,5%. Ao 6º mês do estudo, o índice de massa corpórea manteve-se estável, com discreta elevação no grupo TE/SD (de 26,7 para 28,8; p< 0,05).As concentrações séricas de colesterol total e do LDL-colesterol sofreram redução em todos os grupos, porém sem significância estatística. O teste ergoespirométrico exibiu redução significativa da freqüência cardíaca em repouso e da freqüência cardíaca no limiar anaeróbio, nos grupos usando estradiol. A pressão arterial diastólica no ponto de compensação respiratória foi reduzida de 93 para 86mmHg (p<0,05) e a pressão arterial máxima, de 95 para 85,5mmHg (p<0,05) no grupo TE/TR. Houve elevação da carga pressórica sistólica diurna (1,4 para 4,2%; p<0,05) foram menos evidentes mas dentro dos padrões normais. Conclusões: a terapia hormonal oral estrogênica e o exercício físico aeróbio atuaram de forma sinérgica e favorável sobre o peso corpóreo, os lípides plasmáticos e o condicionamento cardiorespiratório em mulheres na pós-menopausa, ao final de 6 meses de seguimento.

sexta-feira, 19 de novembro de 2004

ESTUDO DA ASSOCIAÇÃO RECEPTORES DE ESTRÓGENO/HER-2 E SUA RELAÇÃO COM FATORES EPIDEMIOLÓGICOS DE RISCO PARA CÂNCER DE MAMA, E PREDITIVOS DE RECIDIVA E PROGNÓSTICO

Pós-graduanda: Marianne Pinotti
Orientador: Prof. Dr. Roberto Hegg
Data da defesa: 19 de novembro de 2004

A resposta ao tratamento do câncer de mama varia na dependência de fatores epidemiológicos, histológicos e inúmeros outros. Alguns marcadores moleculares têm demonstrado também associação com prognóstico e/ou resposta à terapia. Neste contexto, ainda não totalmente esclarecido, torna-se necessário contribuir para validar de maniera mais apropriada a qualidade e participação dos mesmos. Objetivos: avaliar a associação dos receptores de estrógeno e expressão do gene HER-2, assim como de fatores histológicos e imuno-histoquímicos no prognóstico do câncer de mama e na resposta ao tratamento com tamoxifeno, e estabelecer as possíveis relações dos fatores de risco com porgnóstico. Materiais e métodos: foram estudadas respotropectivamente 309 prontuários de mulheres tratadas por câncer de mama no período de novembro/1988-julho/2004. Os casos foram classificados em função da expressão gênica HER-2 e receptor de estrógeno em três grupos: ambos negativos, opostos e ambos positivos. Avaliaram-se comparativamente nesses o porgnóstico da doença (intervalo livre e tempo de sobrevida), fatores prognósticos (tipo e grau histológico, grau nuclear, tamanho do tumor, linfonodos axilares, Ki-67, p53), HER-2 na predição de resposta ao tamoxifeno, e fatores epidemiológicos de risco. Resultados: o intervalo livre de doença médio no grupo HER-2/RE positivos foi de 6,1 anos e no HER-2/RE negativos de 3,4 anos (p=0,041). O grau histológico III associou-se com o grupo HER-2/RE negativos (p=0,022). Houve indícios de associação do tipo histológico lobular com HER-2/RE positivos (p=0,053). Em mulheres usuárias de tamoxifeno e sobrevida total média nos grupos HER-2 positivo e negativo foi de 5,5 e 4,9 anos, respectivamente (p=0,1768). A menarca antes dos 13 anos relacionou-se com HER-2/RE negativos (p=0,006). Conclusões: o grupo HER-2/RE negativos apresentou pior prognóstico. Registrou-se associação marginalmente significativa do tipo histológico lobular com HER-2/RE positivos, que conferiu melhor prognóstico. O grau histológico III relacionou-se de maneira significativa com o grupo HER-2/RE negativos, de pior prognóstico. A expressão do HER-2 não gerou resistência ao tratamento com tamoxifeno. Dos fatores de risco a menarca antes dos 13 anos associou-se ao grupo HER-2/RE negativos, de pior prognóstico.

sexta-feira, 17 de setembro de 2004

ESTUDO DA DOENÇA ENDOMETRIAL EM MULHERES NA PÓS-MENOPAUSA SOB USO CONTÍNUO DE ESTRÓGENOS COMBINADOS AO ACETATO DE MEDROXIPROGESTERONA SEMESTRAL

Pós-graduando: Marcelo Gennari Boratto
Orientador: Prof. Dr. Hans Wolfgang Halbe
Data da defesa: 17 de setembro de 2004

Introdução: o tratamento hormonal combinado contínuo, mensal ou trimestral, é eficaz no controle da doença endometrial, porém com persistência dos efeitos indesejáveis dos progestógenos. Estudos associam maior risco para doença cardiovascular e câncer de mama, quando empregados de maneira contínua. O maior espaçamento no uso dos progestógenos poderia evitar estas desvantagens. Objetivos: determinar as ocorrências da doença endometrial em mulheres na pós-menopausa em uso contínuo de valerato de estradiol por via oral ou hemidrato de estradiol por via transdérmica, combinados ao acetato de medroxiprogesterona (AMP) semestral, por via oral, durante 1 ano. Comparar os resultados segundo o tipo de tratamento: verificar a relação entre a espessura do eco endometrial, doença endometrial e tipo de tratamento; verificar na ocorrência do sangramento uterino e sua relação com tipo de tratamento, doença endometrial e espessura do eco endometrial. Métodos: estudaram-se 129 mulheres na pós-menopausa, com idade entre 42 e 66 anos, submetidas a monitorização ultra-sonográfica, histeroscópica e histopatológica, em 5 tempos, na procura de doença endometrial. Valores de até 5mm foram considerados normais para a espessura do eco endometrial. Resultados: os esquemas empregados mostraram-se ineficazes para a proteção endometrial em 21,7% da amostra global, com hiperplasia simples e pólipos em 18% e 3% respectivamente, independentemente da via de administração do estradiol. Houve aumento crescente na espessura do eco endometrial a partir do terceiro mês, com valores maiores no grupo oral (p=0,012). Sua correlação com doença endometrial foi significativa para maiores do que em 8mm (p<0,01). Os casos com doença endometrial apresentaram espessura do eco endometrial > 8mm em 92,3% e 50% dos casos para oral e gel, respectivamente. O sangramento uterino foi comprovado em 24,6% das mulheres, não havendo relação com a proporção de pacientes portadoras de doença ao longo do tratamento. Conclusões: o uso semestral do AMP não protege o endométrio da ocorrência da doença endometrial, nos esquemas testados. Foi evidenciada relação direta entre a espessura do eco endometrial e a ocorrência de doença endometrial, sendo os maiores valores encontrados no grupo oral. A presença do sangramento durante o tratamento hormonal não é preditiva de doença endometrial, independentemente do tipo de tratamento, sendo que a sua ocorrência esta diretamente relacionada com a espessura do eco endometrial.