sexta-feira, 17 de setembro de 2004

ESTUDO DA DOENÇA ENDOMETRIAL EM MULHERES NA PÓS-MENOPAUSA SOB USO CONTÍNUO DE ESTRÓGENOS COMBINADOS AO ACETATO DE MEDROXIPROGESTERONA SEMESTRAL

Pós-graduando: Marcelo Gennari Boratto
Orientador: Prof. Dr. Hans Wolfgang Halbe
Data da defesa: 17 de setembro de 2004

Introdução: o tratamento hormonal combinado contínuo, mensal ou trimestral, é eficaz no controle da doença endometrial, porém com persistência dos efeitos indesejáveis dos progestógenos. Estudos associam maior risco para doença cardiovascular e câncer de mama, quando empregados de maneira contínua. O maior espaçamento no uso dos progestógenos poderia evitar estas desvantagens. Objetivos: determinar as ocorrências da doença endometrial em mulheres na pós-menopausa em uso contínuo de valerato de estradiol por via oral ou hemidrato de estradiol por via transdérmica, combinados ao acetato de medroxiprogesterona (AMP) semestral, por via oral, durante 1 ano. Comparar os resultados segundo o tipo de tratamento: verificar a relação entre a espessura do eco endometrial, doença endometrial e tipo de tratamento; verificar na ocorrência do sangramento uterino e sua relação com tipo de tratamento, doença endometrial e espessura do eco endometrial. Métodos: estudaram-se 129 mulheres na pós-menopausa, com idade entre 42 e 66 anos, submetidas a monitorização ultra-sonográfica, histeroscópica e histopatológica, em 5 tempos, na procura de doença endometrial. Valores de até 5mm foram considerados normais para a espessura do eco endometrial. Resultados: os esquemas empregados mostraram-se ineficazes para a proteção endometrial em 21,7% da amostra global, com hiperplasia simples e pólipos em 18% e 3% respectivamente, independentemente da via de administração do estradiol. Houve aumento crescente na espessura do eco endometrial a partir do terceiro mês, com valores maiores no grupo oral (p=0,012). Sua correlação com doença endometrial foi significativa para maiores do que em 8mm (p<0,01). Os casos com doença endometrial apresentaram espessura do eco endometrial > 8mm em 92,3% e 50% dos casos para oral e gel, respectivamente. O sangramento uterino foi comprovado em 24,6% das mulheres, não havendo relação com a proporção de pacientes portadoras de doença ao longo do tratamento. Conclusões: o uso semestral do AMP não protege o endométrio da ocorrência da doença endometrial, nos esquemas testados. Foi evidenciada relação direta entre a espessura do eco endometrial e a ocorrência de doença endometrial, sendo os maiores valores encontrados no grupo oral. A presença do sangramento durante o tratamento hormonal não é preditiva de doença endometrial, independentemente do tipo de tratamento, sendo que a sua ocorrência esta diretamente relacionada com a espessura do eco endometrial.

terça-feira, 14 de setembro de 2004

TERAPIA HORMONAL E SEXUALIDADE EM MULHERES NA PÓS-MENOPAUSA

Pós-graduanda: Sônia Regina Lenharo Penteado
Orientadora: Profa. Dra. Angela Maggio da Fonseca
Data da defesa: 14 de setemrbo de 2004

Objetivos: verificar os efeitos da terapia hormonal com derivados estrogênicos e progestogênicos, isolados ou associados à metiltestosterona, na sexualidade e nos sintomas climatéricos em mulheres na pós-menopausa e comparar os dois tipos de terapia hormonal. Casuística: selecionaram-se sessenta mulheres sexualmente ativas, com queixas sexuais, com relacionamento estável com parceiro capacitado para o coito, com idade de 42 a sessenta anos (média etária 52,1 ± 4 anos) e tempo de menopausa de um a 28 anos (média 5,6 anos). Excluíram-se mulheres com doenças sistêmicas, doenças psiquiátricas, endócrinas, distopias genitais, tabagistas e usuárias de terapia hormonal ou de medicamentos que apresentavam interferência na sexualidade. Metodologia: realizou-se estudo de coorte progressiva, duplo-cego, randomizado, com duração de 12 meses. As mulheres foram divididas em dois grupos: EP (n=29), medicadas com estrogênios conjugados (EEC) 0,625mg + acetato de medroxiprogesterona (AMP) 2,5mg + placebo, e grupo EP + A (n=31), medicadas com EEC 0,625mg + AMP 2,5mg + metiltestosterona 2,0mg. Para estudar a sexualidade, utilizou-se o Questionário Sexual do Hospital das Clínicas e foram avaliados o desejo sexual, a excitação e a capacidade orgástica nas atividades desenvolvidas com o parceiro, o interesse sexual não vinculado, exclusivamente, às atividades desenvolvidas com o parceiro, o interesse sexual vinculado, exclusivamente, às atividades desenvolvidas com o parceiro, a dispareunia, a secura vaginal e a freqüência sexual. Para as análises estatísticas, utilizaram-se Modelos Lineares Gerais para Medidas Repetidas, Análise de Variância (ANOVA), Modelos de Regressão Logística Multinominal e Qui-quadrado de Pearson. O nível de significância foi de 5%. Resultados: Nos grupos EP + EP + A, houve aumento no escore de desejo sexual vinculado, exclusivamente, às atividades desenvolvidas com o parceiro (F= 18,334; p < 0,001), no escore de excitação sexual (F= 14,022; p < 0,001), na capacidade orgástica ( F = 34,650; p< 0,001) e na freqüência sexual (F = 7,687; p = 0,008), bem como redução da secura vaginal (x² = 44,153; p < 0,001), da dispareunia (x² = 34,447; p < 0,,01) e do índice menopausal de Kupperman (F= 158,460; p < 0,001). A análise comparativa entre os grupos EP e EP + A mostrou maior interesse sexual não vinculado, exclusivamente, às atividades com o parceiro (x² = 11,551; p = 0,021) e mais altos índices de Castelli I ( F = 8,542; p < 0,001) e índices de Castelli II (F= 11,500; p < 0,001) no grupo EP + A. Não se observaram hirsutismo nem alopecia em nenhum dos grupos; acne grau I foi observada em duas mulheres do grupo EP e em 13 do grupo EP + A. Conclusões: as terapias hormonais com derivados estrogênicos e progestogênicos, isolados e associados à metiltestosterona, causaram impacto positivo em todos os parâmetros sexuais e nos sintomas climatéricos analisados. A associação de metiltestosterona ao tratamento estro-progestacional aumentou o interesse sexual não vinculado, exlusivamente, às atividades com o parceiro e os índices de Castelli I e II. Nos demais parâmetros estudados, não houve diferença entre os dois grupos.

terça-feira, 1 de junho de 2004

FUNÇÃO OVARIANA EM PACIENTES PORTADORAS DE LEIOMIOMA UTERINO SUBMETIDAS A EMBOLIZAÇÃO DAS ARTÉRIAS UTERINAS

Pós-graduando: Marcos de Lorenzo Messina
Orientadora: Dra. Ceci Mendes Carvalho Lopes
Data da defesa: 01 de junho de 2004

Foram estudadas 60 mulheres com diagnóstico ultra-sonográfico de leiomioma uterino submetidas à embolização das artérias uterinas (EAU) com partículas de polivinil-álcool (PVA). Realizaou-se dosagem hormonal seriada de FSH, LH e E2 antes do procedimento e 1, 3, 6, 12, 18 e 24 meses pós-EAU. As pacientes foram divididas em 2 grupos conforme faixa etária. Nas pacientes com idade de 30 a 44 anos (grupo I) não foi encontrada variação significativa na dosagem de FSH, LH, E2 antes da EAU, bem como aos 3 e 12 meses pós-EAU. nas pacientes com idade igual ou acima de 45 anos (grupo II), foi encontrado acréscimo significativo de FSH e LH e diminuição do E2 nos momentos 3 e 12 meses pós-EAU. O grupo II apresentou valores de FSH e LH significativamente maiores e E2 menores que o grupo I na maior parte dos momentos de avaliação. Insuficiência ovariana ocorreu em 19 (31%) das pacientes submetidas a EAU; em 15 das 19 (79%), a falência hormonal ocorreu de modo definitivo e 92% destas pacientes apresentavam idade superior a 45 anos. Na análise estatística, adotou-se nível de significância p< 0,05. A conclusão do estudo é que a EAU compromete a função ovariana especialemente em mulheres com idade superior a 45 anos.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2003

ESTUDO DE UM CICLO MENSTRUAL EM ADOLESCENTES EUMENORRÉICA

Pós-graduando: Zuleide Aparecida Félix Cabral
Orientador: Prof. Dr. Laudelino de Oliveira Ramos
Data da defesa: 12/12/03
A falta de informações relativas ao ciclo menstrual e perfil hormonal de adolescentes com ciclos menstruais regulares, combinada com a diversidade de resultados sobre a investigação da fase folicular e lútea em mulheres não adolescentes descrita até o momento, suscitaram a idéia da presente pesquisa. Este estudo avaliou um ciclo menstrual de 55 adolescentes com idade entre 14 e 19 anos, com ciclos menstruais regulares e tempo decorrido da menarca de doze ou mais meses. Nenhuma adolescente avaliada era tabagista, praticante de esportes extenuantes, portadora de endocrinopatias ou doença neoplásica, tampouco estava em fase de lactação ou uso de anticoncepção hormonal. Investigou-se a correlação entre os valores séricos de FSH entre o segundo e o quinto dia do ciclo menstrual e a duração da fase folicular, o diâmetro floicular médio pré-ruptura ovular, a correlação entre a duração da fase folicular e o tempo decorrido da menarca, a distribuição da ovulação, o datamento do endométrio, a intensidade de vascularização e o índice de resistência do corpo lúteo, valores de progesterona na fase lútea e a correlação destes com a fase folicular, o tempo decorrido da menarca, a vascularização e o índice de resistência do corpo lúteo. A analise estatística dos resultados foi feita usando o software estatístico SPSS 11,0 tendo sido adotado o nível de significância de 5%. A média etária das adolescentes participantes deste estudo na ocasião da menarca foi de 12,2±1,2 anos. Observou-se correlação negativa, estatisticamente significante, entre os valores de FSH no início do ciclo menstrual e a duração da fase folicular, e ausencia de correlação entre a duração da fase folicular e o tempo decorrido da menarca. O diâmetro folicular médio pré-ruptura ovular no dia anterior à eclosão floicular foi de 1,87 cm. A porcentagem de ovulação diagnosticada pela ultra-sonografia transvaginal foi de 100%. A ovulação ocorreu entre o décimo segundo e o vigésimo oitavo dia do ciclo menstrual, com média de 17,1 dias. A totalidade das biópsias de endométrio revelou padrão histológico de aspecto secretor, sendo 85,5% dos endométrios compatíveis com a fase lútea. A média das concentrações de progesterona foi de 10,6ng/ml. A análise da comparação entre a duração da fase folicular e os valores de progesterona na fase lútea, nesta pesquisa, demonstrou que as concentrações de progesterona no décimo segundo dia após a ovulação foram menores no grupo com duração da fase folicular maior ou igual a dezesseis dias, em comparação ao grupo com fase folicular menor do que dezesseis dias. Os valores de progesterona no sexto e nono dia da fase lútea entre os dois grupos não apresentaram diferenças estatisticamente significantes. Intensidade de vascularização do corpo lúteo escassa foi evidenciada em 34,6%; moderada em 23,6% e exuberante em 41,8%. O índice de resistência do corpo lúteo foi de 0,4. Não foi evidenciada correlação entre as progesterona com a vascularização e o índice de resistência do corpo lúteo. Os resultados deste estudo sugerem que adolescentes que adolescentes eumenorréicas demonstram elevada capacidade reprodutiva.