terça-feira, 20 de junho de 2000

Avaliação da captação de emulsão lipídica por tecido ovariano normal e neoplásico

Pós-graduando: Alexandre Ades
Orientador: Prof. Dr. Jorge Saad Souen
Data da defesa: 20/06/2000
Foi realizado estudo com o objetivo de avaliar a captação de uma emulsão lipídica (LDE) que se liga aos receptores celulares para LDL. O trabalho foi realizado com 13 mulheres portadoras de tumores ovarianos malignos, 9 mulheres portadoras de tumores ovarianos benignos e 13 mulheres com ovários normais que os tiveram removidos devido a tumores em outras localizações. Todas foram operadas no setor de Oncologia da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Na véspera da cirurgia, receberam por via intravenosa a emulsão lipídica (LDE) marcada radiotivamente com 14 C no éster de colesterol. No momento da cirurgia foram removidos fragmentos dos tumores e de ovários normais, submetidos posteriormente a contagem de radioatividade. No grupo de pacientes com tumores malignos a captação se mostrou aumentada tanto quanto aos ovários normais contralaterais, quando comparada aos tumores benignos ou ovários normais de outras pacientes. Entre as pacientes com tumores benignos não houve diferença significante de captação quando comparados aos ovários normais contralaterais ou a ovários normais de outras pacientes. Também não houve diferença quanto a captação da emulsão entre ovários normais de pacientes com tumores malignos, tumores benignos e sem tumor de ovário. Os resultados permitem sugerir a emulsão lipídica artificial, LDE, como veículo útil para incorporação de agentes citotóxicos e utilização no tratamento quimioterápico de mulheres portadoras de tumores ovarianos malignos.



terça-feira, 7 de dezembro de 1999

Ação dos análogos do GnRH na estrutura do leiomioma uterino de mulheres nuligestas

Pós-Graduando: Nilo Bozzini
Orientador: Domingos Auricchio Petti
Data de Defesa: 07/12/1999

Foram estudadas no Depto. de Obst. e Gin. do HC/FMUSP, no período de 1994 a 1998, 67 mulheres portadoras de leiomiomas do útero com idade de 24 a 39 anos, nuligestas e desejosas de gravidez. Destas, 31 receberam goserelina 3,6mg a cada 28 dias durante 6 meses (grupo I) e 36 não receberam medicação (grupo II ou controle). Das pacientes que receberam medicação, 16 apresentaram redução volumétrica igual ou menor a 36% (subgrupo Ia) e outras 15, redução maior do que 36% (subgrupo Ib). Todas foram submetidas à miomectomia e os nódulos foram encaminhados para estudo anatomopatológico. Um único leiomioma de cada mulher foi submetido ao estudo histoquímico e imuno- histoquímico para avaliação das concentrações de receptores de estrógeno e progesterona, de vasos sanguíneos, de colágeno, do AgNOR e da celularidade. Observou-se que o grupo que apresentou maior redução volumétrica após o uso dessa medicação mostrou variações de concentração de receptores de estrógeno (p<0,001) e de progesterona (p=0,019), de vasos sanguíneos (p=0,060), de colágeno (p=0,048), do AgNOR (p=0,321) e do número de células (p=0,221) em relação a outro subgrupo Ia e ao grupo II (grupo controle). Como conclusão, observou-se que o análogo do GnRH está relacionado à diminuição da concentração de receptores de estrógeno, porém não apresentou influência uniforme nos receptores de progesterona, nos vasos sanguíneos, no colágeno e na celularidade desse tumor.

sexta-feira, 29 de outubro de 1999

Contribuição ao estudo de um modelo de atendimento à adolescente no sistema público de saúde

Pós-Graduanda: Albertina Duarte Takiuti
Orientador: Laudelino de Oliveira Ramos
Data de Defesa: 29/10/1999

O programa saúde do adolescente da Secretaria de estado da Saúde de São Paulo, desde 1987, vem desenvolvendo um modelo de atendimento a adolescentes em Centros de Saúde do sitemas único de saúde SUS e em ambulatórios de serviços universitários, caracterizando-se pelo enfoque e preventivo, vinculado à família e à comunidade.
O programa implantou, até 1993, 35 serviços, dentre eles o Ambulatório de Ginecolgia da Adolescente do HC/FMUSP(AGAHC), serviço do Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti, sendo que de 1987 a 1993 realizaram-se 56.000 atendimentos. Até 1998, estavam implantados 112 serviços para ambos os sexos, destacando-se, desse total, cinco Casas do Adolescente, e foram realizados 175.000 atendimentos.
O universo de atendimentos analisados nesta tese constituiu-se de 3.097 prontuários, 1.800 do AGAHC e 1.297 de 4 serviços da rede pública, nos períodos de 1987 a 1993 e de 1994 a 1998.
As adolescentes que procuram os serviços tem idade entre 15 e 17 anos, em sua maioria são solteiras, moram com a família, são paulistas, tem 1º grau incompleto (embora haja adolescentes com 2º grau e universitárias), tiveram menarca entre 12 e 13 anos, iniciaram atividade sexual entre 15 e 17 anos, conhecem os métodos anticoncepcionais em maior porcentagem do que os utilizam e expressam dualidade/ambigüidade em relação às questões da sexualidade.
Em relação aos resultados alcançados em termos de prevenção, destacam-se a inserção do parceiro da mulher adolescente nos amblatórios e grupos educativos dos serviços estudados, devido crescimento em até oito vezes do uso do preservativo masculino, entre 1987 e 1998, número substancialmente superior ao alcançado por parceiros de mulheres adultas - e o direito das adolescentes realizarem citologia oncótica gratuitamente.
Foi possível implantar e implementar, no estado de São Paulo, uma política pública de juventude na área de saúde que proporcionou abertura de espaços de atendimento integral à saúde física, psicológica e social das adolecentes.
Os serviços analisados criaram modelo de atendimento universalizado, integral e multiprofissional. Desenvolveram ações intersetoriais com participação comunitária e integradas aos sistemas de referência e contra-referência universitários, realizaram ações de prevenção primária, secundária e terciária, favorecendo e incentivando o protagonismo da mulher adolescente atendida em favor de seus plenos direitos de cidadania em relação não somente à sua saúde, como também à sua vida.

terça-feira, 10 de agosto de 1999

Tratamento de mulheres portadoras de incontinência urinária de esforço através de cones vaginais: avaliação clínica e ultra-sonográfica

Pós-Graduando: Jorge Milhem Haddad
Orientador: Prof. Dr. Ricardo Muniz Ribeiro
Data de defesa: 10/08/1999
No período de janeiro de 1996 a outubro de 1997 foram estudadas 25 mulheres com incontinência urinária de esforço atendidas na Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e no Setor de Uroginecologia do Centro de Referência da Saúde da Mulher e Nutrição, Alimentação e Desenvolvimento Infantil. O objetivo foi o de avaliar o tratamento de mulheres portadoras de incontinência urinária de esforço utilizando cones vaginais nas fases passiva (primeira fase) e ativa (segunda fase), através da queixa clínica, avaliação funcional do assoalho pélvico, "pad test", cone passivo e ativo, posição e amplitude de deslocamento do colo vesical ao ultra-som. Na fase passiva, a paciente introduzia na vagina, o cone de maior peso que resultasse em uma sensação de perda do dispositivo, sem que ocorresse a sua exteriorização, na ausência de contração voluntária da musculatura do assoalho pélvico. A paciente deveria permanecer com este cone na vagina deambulando por 15 minutos, duas vezes ao dia, sem contração voluntária dos musculos do assoalho pélvico. A fase ativa iniciava-se com o cone de maior peso que a paciente era capaz de reter na vagina por período de um minuto com contração voluntária dos músculos do assoalho pélvco. A paciente efetuava 30 contrações voluntária de 5 segundos alteranadas com outros 5 segundos de relaxamento, duas vezes ao dia. Cada fase foi realizada por um período de três meses. Os resultados revelaram que 57,1% das pacientes apresentavam-se curadas ao final do tratamento e 33,3% delas melhoraram e estavam satisfeitas, não solicitando outra alternativa terapêutica. No grupo das pacientes que solicitaram outra alterantiva de tratamento encontrava-se 4,8% das pacientes e este mesmo percentual foi encontrado no grupo das que não apresentaram melhora da perda urinária. Verificou-se também que no final da fase passiva, 8,3% das pacientes apresentavam-se curadas e apenas 4,2% não apresentaram melhora da perda de urina.
Concluímos que, o tratamento de mulheres com incontinência urinária de esforço através de cone vaginal nas fases passiva e ativa foi efetivo, com melhora significativa da queixa clínica. Na fase passiva, houve melhora significativa da avaliação funcional do assoalho pélvico, "pad test", amplitude de deslocamento e posição do colo vesical à ultra-sonografia. Na fase ativa, houve melhora significativa da avaliação funcional do assoalho pélvico e posição do colo vesical à ultra-sonografia. Por outro lado, a melhora nos valores do "pad test"e da amplitude de deslocamento do colo vesical ao ultra-som não foi significativa.